No cenário atual da segurança de alimentos, acompanhar as atualizações normativas deixou de ser uma vantagem competitiva e passou a ser uma necessidade estratégica. Com a publicação da FSSC 22000 versão 7 (2026), muitas organizações estão buscando entender o real impacto dessas mudanças em seus sistemas de gestão.
Para aprofundar essa discussão, Willian, responsável pelo Marketing da Certifee Consultoria, conduziu uma entrevista com Valesca, CEO da Certifee Consultoria e especialista em sistemas de gestão de segurança de alimentos, trazendo uma análise técnica, prática e estratégica sobre as principais mudanças da versão 6 para a versão 7.
O que motivou a publicação da FSSC 22000 versão 7?
A versão 7 foi desenvolvida a partir de uma combinação de fatores estratégicos e técnicos. Entre os principais, destacam-se a necessidade de alinhamento com os novos requisitos do GFSI 2024, o fortalecimento do papel das organizações frente aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a melhoria contínua da estrutura do próprio esquema.
Esses elementos refletem uma evolução natural da norma, acompanhando as demandas globais da indústria de alimentos e elevando o nível de exigência para certificação.
A versão 7 representa uma mudança estrutural ou uma evolução da versão 6?
Trata-se claramente de uma evolução. A base do esquema permanece sustentada pela ISO 22000:2018, porém com um nível de exigência significativamente maior.
A mudança mais relevante não está apenas nos requisitos em si, mas na forma como eles devem ser implementados e demonstrados. Há uma transição de um modelo mais documental para um modelo orientado à evidência de eficácia e desempenho real do sistema de gestão.
Quais são as principais mudanças nos Programas de Pré-Requisitos (PRPs)?
Essa é uma das mudanças mais impactantes da versão 7. Na versão 6, eram utilizadas normas mais antigas, como a ISO/TS 22002-1:2009, enquanto a versão 7 incorpora a nova geração dessas normas, incluindo ISO 22002-1:2025 e ISO 22002-100:2025.
Essa atualização traz maior detalhamento técnico, novos requisitos e um nível mais elevado de controle operacional. Na prática, as organizações precisarão revisar seus PRPs, atualizar procedimentos e garantir maior consistência na implementação.
Qual o impacto do alinhamento com o GFSI 2024?
O alinhamento com o GFSI 2024 é essencial para manter o reconhecimento internacional da certificação FSSC 22000.
Esse alinhamento implica auditorias mais rigorosas, com maior foco em:
• evidências objetivas
• rastreabilidade
• coerência entre prática e documentação
Ou seja, não basta cumprir requisitos — é necessário demonstrar de forma clara e consistente que o sistema é eficaz.
Como a sustentabilidade foi incorporada na versão 7?
A versão 7 reforça a contribuição das organizações para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Embora não exista um requisito isolado específico, a sustentabilidade passa a influenciar a gestão como um todo, conectando segurança de alimentos a aspectos ambientais, sociais e econômicos. Isso amplia o papel estratégico do sistema de gestão dentro das organizações.
Houve mudanças na estrutura do esquema?
Sim. A estrutura geral, composta por cinco partes, foi mantida, porém houve melhorias significativas em organização e clareza.
Essas mudanças facilitam:
• interpretação dos requisitos
• implementação pelas empresas
• condução de auditorias
O que mudou nas categorias da cadeia alimentar?
A versão 7 apresenta uma definição mais detalhada das categorias e subcategorias da cadeia alimentar, reduzindo ambiguidades e aumentando a precisão do escopo de certificação.
Um exemplo relevante é a categoria CIV (produtos estáveis), que passou a ser subdividida em diferentes tipos de processos e produtos, permitindo uma classificação mais técnica e específica das atividades.
Quais foram as principais atualizações nas normas de referência?
A versão 7 incorpora normas mais recentes, como:
• ISO 22003-1:2022
• nova série ISO 22002 (2025)
Essas atualizações fortalecem o alinhamento com padrões internacionais e aumentam a consistência do esquema como um todo.
A certificação ficou mais rigorosa?
Sim. A versão 7 eleva significativamente o nível de exigência.
Esse aumento de rigor se manifesta principalmente em:
• necessidade de evidências mais robustas
• maior controle dos processos
• abordagem mais madura de gestão de riscos
As organizações precisam demonstrar não apenas conformidade, mas eficácia comprovada.
Houve melhorias apenas técnicas ou também editoriais?
Além das mudanças técnicas, houve melhorias editoriais importantes.
O documento está mais estruturado, claro e organizado, o que reduz interpretações equivocadas e facilita tanto a implementação quanto a auditoria.
Qual é o principal desafio para empresas certificadas na versão 6?
O principal desafio será a adaptação ao novo nível de exigência. Isso inclui:
• revisão dos PRPs
• atualização de processos
• fortalecimento da gestão de riscos
• melhoria na geração de evidências
A transição exige planejamento e maturidade organizacional.
Como você resumiria a versão 7 da FSSC 22000?
A versão 7 pode ser resumida como uma evolução que torna o esquema:
• mais atual
• mais rigoroso
• mais alinhado com tendências globais
Ela posiciona a segurança de alimentos em um nível mais estratégico dentro das organizações, exigindo maior consistência, responsabilidade e desempenho.